64 ANOS DE CAIO FERNANDO ABREU!!!!
LISTA DE PRESENTES que recebemos de Caio Fernando Abreu
1- suas idéias
2- suas atitudes
3-sua obra
Vídeo da série Escritores Gaúchos (RBS), contém imagens e trechos de entrevistas concedidas por Caio Fernando Abreu
Assistir à este vídeo é um alívio, é uma espécie "ilha da fantasia" pra todos aqueles que estão se saco cheio de assistir ao mundo de hoje, nestes tempos tão "limpinhos", tão ego-eco "conscientes", onde os avanços sociais conquistos pela gerações passadas começam a ser sufocados pela nova decoração da sociedade contemporânea, tudo está modernérrimo: o novo estilo da moda é o " politicamente correto".
Eu, duas por três, tenho vontade de dar um toque pra algumas pessoas: "Querido, já está bom, foi mais que suficiente, pode para com a hipocrisia....Relaxa, amor, não tá rolando..deixa de tentar ser careta, pois você só está conseguindo ser ridículo.....". Tenho vontade de dar um toque, mas não dou...Por respeito à essas pessoas, opto por me calar, da mesma forma que o Caio fez com a Rachel de Queiroz....
https://www.youtube.com/watch?v=7bzbRKaSmSQ&feature=player_embedded
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Antonio Prata - Autocontrole
Que época bunda-mole esta nossa! Elegemos como principal virtude justo a mais medíocre
FAZ MAIS ou menos um mês, ouvi uma mulher dizer que nunca iria a uma nutricionista gorda. Semanas depois, um amigo demonstrou preocupação ao descobrir que seu psicanalista fumava. Segundo eles, ao que parece, não pode cuidar da dieta ou da ansiedade alheia quem não controla os próprios impulsos.
Ah, que época bunda-mole a nossa! Elegemos como principal virtude justo a mais medíocre: o autocontrole. Foi-se o tempo em que o herói era aquele capaz de romper as amarras sociais, morais, históricas. De enfrentar o mundo em nome de um ideal ou de dar um piparote nas sentinelas do superego em busca de seu eu profundo.
O Super-Homem atual é o que, avaro com os prazeres, melhor consegue inserir-se nos escaninhos disponíveis do mundo. É um profissional bem-sucedido e com barriga de tanquinho. Seus feitos não serão medidos pelas marcas deixadas na história, mas pelo extrato da conta bancária e pela taxa de colesterol.
Não falo de fora. Sou filho da época, também tento enquadrar-me neste anódino "zeitgeist", de sonhos tão mirrados como as cinturas de nossas divas: sou funcionário esforçado, corro na esteira, acredito nos poderes milagrosos da quinua. Quando ponho a cabeça no travesseiro, contudo, envergonho-me e lamento a grandeza perdida.
Outrora buscávamos a nascente do Nilo, a verdade última das coisas, nos metíamos no mato sem cachorro, em mares nunca dantes navegados, nos entregávamos a amores e substâncias proibidas atrás de paraísos naturais ou artificiais. Agora, aqui estamos nós, usando 30 séculos de conhecimento acumulado para vender mais pasta de dentes, mais jornais, empenhados em descobrir como fazer dez arruelas ao custo de nove e receber uma promoção; aqui estamos nós, reinando sobre a natureza, mas comendo barrinhas de cereais.
Onde foi que nós erramos? Em que beco escuro do século 20 um Mefisto chinfrim sussurrou em nossos ouvidos que alcançaríamos a vida eterna caso abríssemos mão de nossos corações em nome do "sistema cardiovascular"? Que bizarra inversão foi essa que nos fez acreditar que a função das comidas é facilitar o trabalho do sistema digestivo, e não que a função do sistema digestivo é lidar com nossas comidas?
Desculpem por ser chulo, caro leitor, mas eis a ambição de nossa triste humanidade: fazer um cocô durinho.
Veja, acho bom que haja campanhas contra o cigarro. Que o exercício físico venha se tornando um hábito mais e mais comum. A vida é curta e preciosa demais para que a atravessemos com pigarro e sem fôlego. Mas é curta e preciosa demais também para ser gasta nesta liberdade (auto) vigiada, em que o prazer e a poesia são drenados a cada dia pelos ralos da eficiência.
Não creio em nada para além do último suspiro, mas ficção por ficção, sou mais Dionísio, São Francisco e Ogum do que esse culto desvairado pela bicicleta ergométrica, o Excel e a fenilalanina.
Bichos burros! Indo do berço ao túmulo agarrados às certezas mais tacanhas e permitindo-nos o mínimo de prazer, o grande legado de nossa época será belíssimos, saudabilíssimos cadáveres -injustiça, aliás, com as minhocas, que não estão preocupadas com o colesterol nem com suas anelídeas silhuetas.
antonioprata.folha@uol.com.br
@antonioprata
Folha de S.Paulo
20/06/2012
Que época bunda-mole esta nossa! Elegemos como principal virtude justo a mais medíocre
FAZ MAIS ou menos um mês, ouvi uma mulher dizer que nunca iria a uma nutricionista gorda. Semanas depois, um amigo demonstrou preocupação ao descobrir que seu psicanalista fumava. Segundo eles, ao que parece, não pode cuidar da dieta ou da ansiedade alheia quem não controla os próprios impulsos.
Ah, que época bunda-mole a nossa! Elegemos como principal virtude justo a mais medíocre: o autocontrole. Foi-se o tempo em que o herói era aquele capaz de romper as amarras sociais, morais, históricas. De enfrentar o mundo em nome de um ideal ou de dar um piparote nas sentinelas do superego em busca de seu eu profundo.
O Super-Homem atual é o que, avaro com os prazeres, melhor consegue inserir-se nos escaninhos disponíveis do mundo. É um profissional bem-sucedido e com barriga de tanquinho. Seus feitos não serão medidos pelas marcas deixadas na história, mas pelo extrato da conta bancária e pela taxa de colesterol.
Não falo de fora. Sou filho da época, também tento enquadrar-me neste anódino "zeitgeist", de sonhos tão mirrados como as cinturas de nossas divas: sou funcionário esforçado, corro na esteira, acredito nos poderes milagrosos da quinua. Quando ponho a cabeça no travesseiro, contudo, envergonho-me e lamento a grandeza perdida.
Outrora buscávamos a nascente do Nilo, a verdade última das coisas, nos metíamos no mato sem cachorro, em mares nunca dantes navegados, nos entregávamos a amores e substâncias proibidas atrás de paraísos naturais ou artificiais. Agora, aqui estamos nós, usando 30 séculos de conhecimento acumulado para vender mais pasta de dentes, mais jornais, empenhados em descobrir como fazer dez arruelas ao custo de nove e receber uma promoção; aqui estamos nós, reinando sobre a natureza, mas comendo barrinhas de cereais.
Onde foi que nós erramos? Em que beco escuro do século 20 um Mefisto chinfrim sussurrou em nossos ouvidos que alcançaríamos a vida eterna caso abríssemos mão de nossos corações em nome do "sistema cardiovascular"? Que bizarra inversão foi essa que nos fez acreditar que a função das comidas é facilitar o trabalho do sistema digestivo, e não que a função do sistema digestivo é lidar com nossas comidas?
Desculpem por ser chulo, caro leitor, mas eis a ambição de nossa triste humanidade: fazer um cocô durinho.
Veja, acho bom que haja campanhas contra o cigarro. Que o exercício físico venha se tornando um hábito mais e mais comum. A vida é curta e preciosa demais para que a atravessemos com pigarro e sem fôlego. Mas é curta e preciosa demais também para ser gasta nesta liberdade (auto) vigiada, em que o prazer e a poesia são drenados a cada dia pelos ralos da eficiência.
Não creio em nada para além do último suspiro, mas ficção por ficção, sou mais Dionísio, São Francisco e Ogum do que esse culto desvairado pela bicicleta ergométrica, o Excel e a fenilalanina.
Bichos burros! Indo do berço ao túmulo agarrados às certezas mais tacanhas e permitindo-nos o mínimo de prazer, o grande legado de nossa época será belíssimos, saudabilíssimos cadáveres -injustiça, aliás, com as minhocas, que não estão preocupadas com o colesterol nem com suas anelídeas silhuetas.
antonioprata.folha@uol.com.br
@antonioprata
Folha de S.Paulo
20/06/2012
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
A infância, a morte, o lúdico e a vida real....
Que pena que eu não nasci com o dom de uma "encantadora de baleias"...
O mar que abraça a terra onde nasci me ofereceu a oportunidade de aprender, desde menina, algumas coisas valiosas como o a riqueza de possibilidades e a diversidade de formas com que a natureza se manifesta, a lei da impermanência de tudo o que existe, o respeito por tudo que é vivo, a insignificância do meu tamanho diante do universo e os intransponíveis limites do tempo, do alcance de visão e de compreensão do todo que esta insignificância me impõe; o poder de destruição da ignorância humana e a minha absoluta impotência diante do irremediável*.
Orientada por essa bússola particular de entendimentos parti da infância pra vida adulta.
Hoje, quando estava dando aquela olhada semanal no meu mapa pessoal de rotas e territórios, pra me localizar melhor, o ajuste das lentes de perspectiva foi atualizado para a seguinte versão: foco- 47anos,
direção- sentido da luz.
Eu consegui dar um upgrade na imagem e, pela primeira vez, enxerguei todo o desenho traçado pelos caminhos que desbravei e percebi que, ao utilizar minha bússola para atravessar o que, na época, me era desconhecido, eu escolhi o caminho do meio, cujo poder de destruição é quase nulo.
Eu descobri uma nova maneira de ir adiante: o ir remediável*....cujo impacto ambiental é restaurador.
(*)Eu não criei, nem descobri as possibilidades contidas na palavra "irremediável". A idéia original é de Caio Fernando Abreu, o título de seu primeiro livro, publicado em 1970, é "Inventário do Irremediável". Em 1995, a obra foi revisada por Caio, ganhou um hífen, e reeditada com o título"Inventário do Ir-remediável".
Que pena que eu não nasci com o dom de uma "encantadora de baleias"...
O mar que abraça a terra onde nasci me ofereceu a oportunidade de aprender, desde menina, algumas coisas valiosas como o a riqueza de possibilidades e a diversidade de formas com que a natureza se manifesta, a lei da impermanência de tudo o que existe, o respeito por tudo que é vivo, a insignificância do meu tamanho diante do universo e os intransponíveis limites do tempo, do alcance de visão e de compreensão do todo que esta insignificância me impõe; o poder de destruição da ignorância humana e a minha absoluta impotência diante do irremediável*.
Orientada por essa bússola particular de entendimentos parti da infância pra vida adulta.
Hoje, quando estava dando aquela olhada semanal no meu mapa pessoal de rotas e territórios, pra me localizar melhor, o ajuste das lentes de perspectiva foi atualizado para a seguinte versão: foco- 47anos,
direção- sentido da luz.
Eu consegui dar um upgrade na imagem e, pela primeira vez, enxerguei todo o desenho traçado pelos caminhos que desbravei e percebi que, ao utilizar minha bússola para atravessar o que, na época, me era desconhecido, eu escolhi o caminho do meio, cujo poder de destruição é quase nulo.
Eu descobri uma nova maneira de ir adiante: o ir remediável*....cujo impacto ambiental é restaurador.
(*)Eu não criei, nem descobri as possibilidades contidas na palavra "irremediável". A idéia original é de Caio Fernando Abreu, o título de seu primeiro livro, publicado em 1970, é "Inventário do Irremediável". Em 1995, a obra foi revisada por Caio, ganhou um hífen, e reeditada com o título"Inventário do Ir-remediável".
quarta-feira, 13 de julho de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
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