segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
MOTIVOS DO MEU ORGULHO DE SER GAÚCHA 2
CAPÍTULO 2
Mario Quintana e Tequila Baby
"Ah, esses moralistas... Não há nada que empeste mais do que um desinfetante!" M.Q.
T.B. "Sexo, algemas e cinta-liga"
"MOTIVOS DO MEU ORGULHO DE SER GAÚCHA"
CAPÍTULO 1
Caio Fernando Abreu e Wander Wildner
"Se algumas pessoas se afastarem de você, não fique triste, isso é resposta da oração: “livrai-me de todo mal, amém”." Caio F. Abreu
"Mantra das Possibilidades" W Wildner
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
O NOSSO AMOR A GENTE INVENTA.
O NOSSO AMOR A GENTE INVENTA.
O
quê? Você disse: “O nosso amor a
gente inventa”?
Isso é
uma proposta?
Hum, tá, eu topo, vamos inventar. A gente inventa, mas e depois, você
sustenta?
Diz que
sim. Diz que sustenta, vai, por favor. Diz que, dessa vez, você não vai
desistir, que você vai sustentar a nossa invenção até o fim. Pelo amor de
Deus!!!
E
o amor de Deus, será que a gente também inventa? Será, mesmo?
Então, será que é por isso que, às vezes, a gente pensa que ELE nunca
existiu?
Ai, credo! Que perigo pensar uma coisa dessas. Se eu desinventar Deus,
vai ser uma merda. Eu desinvento e depois, sozinha, faço o quê? Vou como? Eu e a bússola? Eu e a brisa?
Não sei, não. Sem Deus, há apenas uma maneira de ir: “'Só se for a dois”.Vamos
de dois? Vamos juntos? Vamos? Você tá louco pra ir? Sério? Oba! Vai ser ótimo.
Só que, antes de irmos, eu preciso que você nos faça um favorzinho.
Você me
ajuda a resolver um problema e a gente já vai. É o seguinte: preciso que você
tente achar alguma coisa na sua caixa de ferramentas, pode ser um alicate, um
pé de cabra, um fórceps, sei lá, pode ser qualquer coisa que seja capaz de me
arrancar de mim... Pode ser, por exemplo, um pedaço de bacon. Você coloca
assim, do meu lado, e tenta. Quem sabe me dá um ataque e, de repente, eu pulo
de mim para o bacon? Bem, isto funciona com o berne, ele sempre pula pro bacon.
Mas você tem que fazer isso rápido. Tem que ser já, antes que seja tarde
demais. Porque, não sei se você sabe, "ver é irreversível”, e eu vi.
Aliás, pensando melhor, esquece. Obrigada, mas não precisa mais me fazer
favor nenhum. Esquece tudo. Quer saber? Eu já vi mesmo.É irreversível. Não é?
Então, foda-se. Agora eu vou olhar mesmo, vou olhar
bem olhado.
Eu
já saí da caverna, sozinha, fugindo da escuridão. Fui, sozinha, pra lugares que
ninguém tinha ido antes, abri picadas na mata virgem pra conhecer o
desconhecido.
Oh,
maldição! Agora é tarde demais.
Eu
deveria ter pedido pro Sócrates: “Me segura, Sócrates, por favor, não me deixa
sair desta caverna. SÓCRATES, ME DEIXA SER BURRA!”, mas o Sócrates nem estava
lá, eu nem conhecia o Sócrates nessa época..
Agora eu
não posso voltar pra caverna, não há como voltar. Foram muitos arranhões, tem
muitas cicatrizes na minha pele, eu estou diferente. O povo da caverna, no meio
daquela escuridão, me estranharia. Eles iriam me hostilizar e, certamente, eu
morreria linchada. E, eu me nego a morrer pelas mãos de gente medíocre. Coitados..Eles não tem culpa da mediocridade..Nem culpa, nem consciência... Mas, Deus me livre!!!!
Eu prefiro me matar sozinha.
..
domingo, 23 de setembro de 2012
quinta-feira, 13 de setembro de 2012
64 ANOS DE CAIO FERNANDO ABREU!!!! LISTA DE PRESENTES
64 ANOS DE CAIO FERNANDO ABREU!!!!
LISTA DE PRESENTES que recebemos de Caio Fernando Abreu
1- suas idéias
2- suas atitudes
3-sua obra
Vídeo da série Escritores Gaúchos (RBS), contém imagens e trechos de entrevistas concedidas por Caio Fernando Abreu
Assistir à este vídeo é um alívio, é uma espécie "ilha da fantasia" pra todos aqueles que estão se saco cheio de assistir ao mundo de hoje, nestes tempos tão "limpinhos", tão ego-eco "conscientes", onde os avanços sociais conquistos pela gerações passadas começam a ser sufocados pela nova decoração da sociedade contemporânea, tudo está modernérrimo: o novo estilo da moda é o " politicamente correto".
Eu, duas por três, tenho vontade de dar um toque pra algumas pessoas: "Querido, já está bom, foi mais que suficiente, pode para com a hipocrisia....Relaxa, amor, não tá rolando..deixa de tentar ser careta, pois você só está conseguindo ser ridículo.....". Tenho vontade de dar um toque, mas não dou...Por respeito à essas pessoas, opto por me calar, da mesma forma que o Caio fez com a Rachel de Queiroz....
https://www.youtube.com/watch?v=7bzbRKaSmSQ&feature=player_embedded
LISTA DE PRESENTES que recebemos de Caio Fernando Abreu
1- suas idéias
2- suas atitudes
3-sua obra
Vídeo da série Escritores Gaúchos (RBS), contém imagens e trechos de entrevistas concedidas por Caio Fernando Abreu
Assistir à este vídeo é um alívio, é uma espécie "ilha da fantasia" pra todos aqueles que estão se saco cheio de assistir ao mundo de hoje, nestes tempos tão "limpinhos", tão ego-eco "conscientes", onde os avanços sociais conquistos pela gerações passadas começam a ser sufocados pela nova decoração da sociedade contemporânea, tudo está modernérrimo: o novo estilo da moda é o " politicamente correto".
Eu, duas por três, tenho vontade de dar um toque pra algumas pessoas: "Querido, já está bom, foi mais que suficiente, pode para com a hipocrisia....Relaxa, amor, não tá rolando..deixa de tentar ser careta, pois você só está conseguindo ser ridículo.....". Tenho vontade de dar um toque, mas não dou...Por respeito à essas pessoas, opto por me calar, da mesma forma que o Caio fez com a Rachel de Queiroz....
https://www.youtube.com/watch?v=7bzbRKaSmSQ&feature=player_embedded
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Antonio Prata - Autocontrole
Que época bunda-mole esta nossa! Elegemos como principal virtude justo a mais medíocre
FAZ MAIS ou menos um mês, ouvi uma mulher dizer que nunca iria a uma nutricionista gorda. Semanas depois, um amigo demonstrou preocupação ao descobrir que seu psicanalista fumava. Segundo eles, ao que parece, não pode cuidar da dieta ou da ansiedade alheia quem não controla os próprios impulsos.
Ah, que época bunda-mole a nossa! Elegemos como principal virtude justo a mais medíocre: o autocontrole. Foi-se o tempo em que o herói era aquele capaz de romper as amarras sociais, morais, históricas. De enfrentar o mundo em nome de um ideal ou de dar um piparote nas sentinelas do superego em busca de seu eu profundo.
O Super-Homem atual é o que, avaro com os prazeres, melhor consegue inserir-se nos escaninhos disponíveis do mundo. É um profissional bem-sucedido e com barriga de tanquinho. Seus feitos não serão medidos pelas marcas deixadas na história, mas pelo extrato da conta bancária e pela taxa de colesterol.
Não falo de fora. Sou filho da época, também tento enquadrar-me neste anódino "zeitgeist", de sonhos tão mirrados como as cinturas de nossas divas: sou funcionário esforçado, corro na esteira, acredito nos poderes milagrosos da quinua. Quando ponho a cabeça no travesseiro, contudo, envergonho-me e lamento a grandeza perdida.
Outrora buscávamos a nascente do Nilo, a verdade última das coisas, nos metíamos no mato sem cachorro, em mares nunca dantes navegados, nos entregávamos a amores e substâncias proibidas atrás de paraísos naturais ou artificiais. Agora, aqui estamos nós, usando 30 séculos de conhecimento acumulado para vender mais pasta de dentes, mais jornais, empenhados em descobrir como fazer dez arruelas ao custo de nove e receber uma promoção; aqui estamos nós, reinando sobre a natureza, mas comendo barrinhas de cereais.
Onde foi que nós erramos? Em que beco escuro do século 20 um Mefisto chinfrim sussurrou em nossos ouvidos que alcançaríamos a vida eterna caso abríssemos mão de nossos corações em nome do "sistema cardiovascular"? Que bizarra inversão foi essa que nos fez acreditar que a função das comidas é facilitar o trabalho do sistema digestivo, e não que a função do sistema digestivo é lidar com nossas comidas?
Desculpem por ser chulo, caro leitor, mas eis a ambição de nossa triste humanidade: fazer um cocô durinho.
Veja, acho bom que haja campanhas contra o cigarro. Que o exercício físico venha se tornando um hábito mais e mais comum. A vida é curta e preciosa demais para que a atravessemos com pigarro e sem fôlego. Mas é curta e preciosa demais também para ser gasta nesta liberdade (auto) vigiada, em que o prazer e a poesia são drenados a cada dia pelos ralos da eficiência.
Não creio em nada para além do último suspiro, mas ficção por ficção, sou mais Dionísio, São Francisco e Ogum do que esse culto desvairado pela bicicleta ergométrica, o Excel e a fenilalanina.
Bichos burros! Indo do berço ao túmulo agarrados às certezas mais tacanhas e permitindo-nos o mínimo de prazer, o grande legado de nossa época será belíssimos, saudabilíssimos cadáveres -injustiça, aliás, com as minhocas, que não estão preocupadas com o colesterol nem com suas anelídeas silhuetas.
antonioprata.folha@uol.com.br
@antonioprata
Folha de S.Paulo
20/06/2012
Que época bunda-mole esta nossa! Elegemos como principal virtude justo a mais medíocre
FAZ MAIS ou menos um mês, ouvi uma mulher dizer que nunca iria a uma nutricionista gorda. Semanas depois, um amigo demonstrou preocupação ao descobrir que seu psicanalista fumava. Segundo eles, ao que parece, não pode cuidar da dieta ou da ansiedade alheia quem não controla os próprios impulsos.
Ah, que época bunda-mole a nossa! Elegemos como principal virtude justo a mais medíocre: o autocontrole. Foi-se o tempo em que o herói era aquele capaz de romper as amarras sociais, morais, históricas. De enfrentar o mundo em nome de um ideal ou de dar um piparote nas sentinelas do superego em busca de seu eu profundo.
O Super-Homem atual é o que, avaro com os prazeres, melhor consegue inserir-se nos escaninhos disponíveis do mundo. É um profissional bem-sucedido e com barriga de tanquinho. Seus feitos não serão medidos pelas marcas deixadas na história, mas pelo extrato da conta bancária e pela taxa de colesterol.
Não falo de fora. Sou filho da época, também tento enquadrar-me neste anódino "zeitgeist", de sonhos tão mirrados como as cinturas de nossas divas: sou funcionário esforçado, corro na esteira, acredito nos poderes milagrosos da quinua. Quando ponho a cabeça no travesseiro, contudo, envergonho-me e lamento a grandeza perdida.
Outrora buscávamos a nascente do Nilo, a verdade última das coisas, nos metíamos no mato sem cachorro, em mares nunca dantes navegados, nos entregávamos a amores e substâncias proibidas atrás de paraísos naturais ou artificiais. Agora, aqui estamos nós, usando 30 séculos de conhecimento acumulado para vender mais pasta de dentes, mais jornais, empenhados em descobrir como fazer dez arruelas ao custo de nove e receber uma promoção; aqui estamos nós, reinando sobre a natureza, mas comendo barrinhas de cereais.
Onde foi que nós erramos? Em que beco escuro do século 20 um Mefisto chinfrim sussurrou em nossos ouvidos que alcançaríamos a vida eterna caso abríssemos mão de nossos corações em nome do "sistema cardiovascular"? Que bizarra inversão foi essa que nos fez acreditar que a função das comidas é facilitar o trabalho do sistema digestivo, e não que a função do sistema digestivo é lidar com nossas comidas?
Desculpem por ser chulo, caro leitor, mas eis a ambição de nossa triste humanidade: fazer um cocô durinho.
Veja, acho bom que haja campanhas contra o cigarro. Que o exercício físico venha se tornando um hábito mais e mais comum. A vida é curta e preciosa demais para que a atravessemos com pigarro e sem fôlego. Mas é curta e preciosa demais também para ser gasta nesta liberdade (auto) vigiada, em que o prazer e a poesia são drenados a cada dia pelos ralos da eficiência.
Não creio em nada para além do último suspiro, mas ficção por ficção, sou mais Dionísio, São Francisco e Ogum do que esse culto desvairado pela bicicleta ergométrica, o Excel e a fenilalanina.
Bichos burros! Indo do berço ao túmulo agarrados às certezas mais tacanhas e permitindo-nos o mínimo de prazer, o grande legado de nossa época será belíssimos, saudabilíssimos cadáveres -injustiça, aliás, com as minhocas, que não estão preocupadas com o colesterol nem com suas anelídeas silhuetas.
antonioprata.folha@uol.com.br
@antonioprata
Folha de S.Paulo
20/06/2012
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
A infância, a morte, o lúdico e a vida real....
Que pena que eu não nasci com o dom de uma "encantadora de baleias"...
O mar que abraça a terra onde nasci me ofereceu a oportunidade de aprender, desde menina, algumas coisas valiosas como o a riqueza de possibilidades e a diversidade de formas com que a natureza se manifesta, a lei da impermanência de tudo o que existe, o respeito por tudo que é vivo, a insignificância do meu tamanho diante do universo e os intransponíveis limites do tempo, do alcance de visão e de compreensão do todo que esta insignificância me impõe; o poder de destruição da ignorância humana e a minha absoluta impotência diante do irremediável*.
Orientada por essa bússola particular de entendimentos parti da infância pra vida adulta.
Hoje, quando estava dando aquela olhada semanal no meu mapa pessoal de rotas e territórios, pra me localizar melhor, o ajuste das lentes de perspectiva foi atualizado para a seguinte versão: foco- 47anos,
direção- sentido da luz.
Eu consegui dar um upgrade na imagem e, pela primeira vez, enxerguei todo o desenho traçado pelos caminhos que desbravei e percebi que, ao utilizar minha bússola para atravessar o que, na época, me era desconhecido, eu escolhi o caminho do meio, cujo poder de destruição é quase nulo.
Eu descobri uma nova maneira de ir adiante: o ir remediável*....cujo impacto ambiental é restaurador.
(*)Eu não criei, nem descobri as possibilidades contidas na palavra "irremediável". A idéia original é de Caio Fernando Abreu, o título de seu primeiro livro, publicado em 1970, é "Inventário do Irremediável". Em 1995, a obra foi revisada por Caio, ganhou um hífen, e reeditada com o título"Inventário do Ir-remediável".
Que pena que eu não nasci com o dom de uma "encantadora de baleias"...
O mar que abraça a terra onde nasci me ofereceu a oportunidade de aprender, desde menina, algumas coisas valiosas como o a riqueza de possibilidades e a diversidade de formas com que a natureza se manifesta, a lei da impermanência de tudo o que existe, o respeito por tudo que é vivo, a insignificância do meu tamanho diante do universo e os intransponíveis limites do tempo, do alcance de visão e de compreensão do todo que esta insignificância me impõe; o poder de destruição da ignorância humana e a minha absoluta impotência diante do irremediável*.
Orientada por essa bússola particular de entendimentos parti da infância pra vida adulta.
Hoje, quando estava dando aquela olhada semanal no meu mapa pessoal de rotas e territórios, pra me localizar melhor, o ajuste das lentes de perspectiva foi atualizado para a seguinte versão: foco- 47anos,
direção- sentido da luz.
Eu consegui dar um upgrade na imagem e, pela primeira vez, enxerguei todo o desenho traçado pelos caminhos que desbravei e percebi que, ao utilizar minha bússola para atravessar o que, na época, me era desconhecido, eu escolhi o caminho do meio, cujo poder de destruição é quase nulo.
Eu descobri uma nova maneira de ir adiante: o ir remediável*....cujo impacto ambiental é restaurador.
(*)Eu não criei, nem descobri as possibilidades contidas na palavra "irremediável". A idéia original é de Caio Fernando Abreu, o título de seu primeiro livro, publicado em 1970, é "Inventário do Irremediável". Em 1995, a obra foi revisada por Caio, ganhou um hífen, e reeditada com o título"Inventário do Ir-remediável".
quarta-feira, 13 de julho de 2011
domingo, 16 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Cláudia Wonder se mudou da Terra, foi morar em outro planeta.
(escrito em 26 de novembro de 2010)
Cláudia Wonder se mudou da Terra, foi morar em outro planeta, onde se reunirá com a velha turma: Jean Genet, Caio Fernando Abreu, Cazuza....
Inteligente e cheia de atitude, Cláudia era atriz, escritora, colunista, cantora-compositora. Viveu lutando contra a caretice, a ignorância e a discriminação. Famosa entre os famosos e respeitada por sua militância pelos Direitos Humanos LGBT, seu trabalho obteve reconhecimento internacional.
Estava feliz e realizada... O espetáculo de sua vida terminou no auge, CLÁUDIA partiu linda e digna, como sempre...
Boa viagem minha querida amiga!!!!
Abaixo copiei a crônica "Meu Amigo Cláudia" escrita por Caio Fernando Abreu.
Meu amigo Cláudia
Maravilha, prodígio, espanto:
No palco e na vida, meu amigo Cláudia é bem assim:
Meu amigo Cláudia é uma das pessoas mais dignas que conheço. E aqui preciso deter-me um pouco para explicar o que significa, para mim, “digno” ou “dignidade”. Nem é tão complicado: dignidade acontece quando se é inteiro. Mas o que quer dizer ser “inteiro”? Talvez, quando se faz exatamente o que se quer fazer, do jeito que se quer fazer, da melhor maneira possível. A opinião alheia, então, torna-se detalhe desimportante. O que pode resultar – e geralmente resulta mesmo – numa enorme solidão. Dignidade é quando a solidão de ter escolhido ser, tão exatamente quanto possível, aquilo que se é dói muito menos do que ter escolhido a falsa não-solidão de ser o que não se é, apenas para não sofrer a rejeição tristíssima dos outros.
Bem, assim é meu amigo Cláudia. Eu não o/a conhecia pessoalmente. Ou melhor: conhecia do palco, onde Cláudia enlouquece cantando, falando e mostrando-se de uma maneira tão atrevidamente escancarada que fica linda, lindo. Só conversamos face a face, pela primeira vez, há três semanas. Parece não ter nada que ver, mas tem tudo: eu adoro Marina Lima. Há três anos, no Rio, conheci Sergio Luz, que atualmente dirige Marina. Éramos amigos de (Ah! Os bordados da vida...) Ana Cristina César, e foi através dela que cruzamos caminhos. Mas isso é outra história. Ou nem tanto. Há três semanas, Sergio me convidou para jantar com ele, Marina, Antonio Cicero e outras pessoas. Lógico que fui. E lá estava também Cláudia, no meio de uma mesa enorme. Não havia lugar para todo mundo. Sentamos numa mesa próxima. Pouco depois, Cláudia veio sentar-se conosco, porque havia um senhor na outra mesa – um senhor poderoso – que não parava de agredir Cláudia. Começamos a conversar. Acabamos no Madame Satã, onde raramente ou nunca, felizmente, existem senhores como aquele, agredindo pessoas como Cláudia. Por não existirem interferências assim no mundo particular do Satã, foi que Cláudia e eu, naquela noite, nos tornamos amigos.
Para aquele senhor, e para a maioria de todos os outros senhores do mundo, a presença de Cláudia deve representar a suprema transgressão, a mais perigosa das ameaças. Tanto que andam matando pessoas como Cláudia, na noite negra e luminosa de Sampa. É que meu amigo Cláudia incorporou, no cotidiano, a mais desafiadora das ambigüidades: ela (ou ele?) movimenta-se o tempo todo naquela fronteira sutilíssima entre o “macho” e a “fêmea”. Isso em uma sociedade em que principalmente o genital é que determina o papel que você vai assumir. Porque se você é homem, você tem de fazer isso e isso e isso – não aquilo. E se você é mulher, deve fazer aquilo e aquilo e aquilo – não isso.
Movendo-se entre isso e aquilo, meu amigo Cláudia conquista o direito interno/subjetivo de fazer isso e também aquilo. Mas perde o direito externo/objetivo de fazer nem isso nem aquilo. Tomamos vodca juntos na madrugada falando de solidão, essa grande amiga em comum de todos nós. Trocamos telefones, nos encontramos outra vez. Gosto tanto de seus olhos muito abertos, atentos a tudo, contemplando diretamente o mais de dentro de cada um.
Agora virei seu fã. Hoje, às 23h, Cláudia apresenta-se no Teatro do Bexiga. Se você quiser, também pode conhecer meu amigo Cláudia. A propósito, ela (ou ele – que importa, afinal, um ‘e’ ou ‘o’ ou ‘a’ no artigo ou pronome que precede o nome de uma pessoa?) autobatizou-se com o sobrenome Wonder, que em inglês quer dizer “milagre”, ou “prodígio”, ou ainda “maravilha”, “surpresa”, “espanto”. Todas essas sensações são justamente as que meu amigo Cláudia Wonder passa, no palco e na vida. E por tudo isso, me sinto muito orgulhoso de ser seu amigo.
Caio Fernando Abreu Caderno 2 - Estadão
Cláudia Wonder se mudou da Terra, foi morar em outro planeta, onde se reunirá com a velha turma: Jean Genet, Caio Fernando Abreu, Cazuza....
Inteligente e cheia de atitude, Cláudia era atriz, escritora, colunista, cantora-compositora. Viveu lutando contra a caretice, a ignorância e a discriminação. Famosa entre os famosos e respeitada por sua militância pelos Direitos Humanos LGBT, seu trabalho obteve reconhecimento internacional.
Estava feliz e realizada... O espetáculo de sua vida terminou no auge, CLÁUDIA partiu linda e digna, como sempre...
Boa viagem minha querida amiga!!!!
Abaixo copiei a crônica "Meu Amigo Cláudia" escrita por Caio Fernando Abreu.
Meu amigo Cláudia
Maravilha, prodígio, espanto:
No palco e na vida, meu amigo Cláudia é bem assim:
Meu amigo Cláudia é uma das pessoas mais dignas que conheço. E aqui preciso deter-me um pouco para explicar o que significa, para mim, “digno” ou “dignidade”. Nem é tão complicado: dignidade acontece quando se é inteiro. Mas o que quer dizer ser “inteiro”? Talvez, quando se faz exatamente o que se quer fazer, do jeito que se quer fazer, da melhor maneira possível. A opinião alheia, então, torna-se detalhe desimportante. O que pode resultar – e geralmente resulta mesmo – numa enorme solidão. Dignidade é quando a solidão de ter escolhido ser, tão exatamente quanto possível, aquilo que se é dói muito menos do que ter escolhido a falsa não-solidão de ser o que não se é, apenas para não sofrer a rejeição tristíssima dos outros.
Bem, assim é meu amigo Cláudia. Eu não o/a conhecia pessoalmente. Ou melhor: conhecia do palco, onde Cláudia enlouquece cantando, falando e mostrando-se de uma maneira tão atrevidamente escancarada que fica linda, lindo. Só conversamos face a face, pela primeira vez, há três semanas. Parece não ter nada que ver, mas tem tudo: eu adoro Marina Lima. Há três anos, no Rio, conheci Sergio Luz, que atualmente dirige Marina. Éramos amigos de (Ah! Os bordados da vida...) Ana Cristina César, e foi através dela que cruzamos caminhos. Mas isso é outra história. Ou nem tanto. Há três semanas, Sergio me convidou para jantar com ele, Marina, Antonio Cicero e outras pessoas. Lógico que fui. E lá estava também Cláudia, no meio de uma mesa enorme. Não havia lugar para todo mundo. Sentamos numa mesa próxima. Pouco depois, Cláudia veio sentar-se conosco, porque havia um senhor na outra mesa – um senhor poderoso – que não parava de agredir Cláudia. Começamos a conversar. Acabamos no Madame Satã, onde raramente ou nunca, felizmente, existem senhores como aquele, agredindo pessoas como Cláudia. Por não existirem interferências assim no mundo particular do Satã, foi que Cláudia e eu, naquela noite, nos tornamos amigos.
Para aquele senhor, e para a maioria de todos os outros senhores do mundo, a presença de Cláudia deve representar a suprema transgressão, a mais perigosa das ameaças. Tanto que andam matando pessoas como Cláudia, na noite negra e luminosa de Sampa. É que meu amigo Cláudia incorporou, no cotidiano, a mais desafiadora das ambigüidades: ela (ou ele?) movimenta-se o tempo todo naquela fronteira sutilíssima entre o “macho” e a “fêmea”. Isso em uma sociedade em que principalmente o genital é que determina o papel que você vai assumir. Porque se você é homem, você tem de fazer isso e isso e isso – não aquilo. E se você é mulher, deve fazer aquilo e aquilo e aquilo – não isso.
Movendo-se entre isso e aquilo, meu amigo Cláudia conquista o direito interno/subjetivo de fazer isso e também aquilo. Mas perde o direito externo/objetivo de fazer nem isso nem aquilo. Tomamos vodca juntos na madrugada falando de solidão, essa grande amiga em comum de todos nós. Trocamos telefones, nos encontramos outra vez. Gosto tanto de seus olhos muito abertos, atentos a tudo, contemplando diretamente o mais de dentro de cada um.
Agora virei seu fã. Hoje, às 23h, Cláudia apresenta-se no Teatro do Bexiga. Se você quiser, também pode conhecer meu amigo Cláudia. A propósito, ela (ou ele – que importa, afinal, um ‘e’ ou ‘o’ ou ‘a’ no artigo ou pronome que precede o nome de uma pessoa?) autobatizou-se com o sobrenome Wonder, que em inglês quer dizer “milagre”, ou “prodígio”, ou ainda “maravilha”, “surpresa”, “espanto”. Todas essas sensações são justamente as que meu amigo Cláudia Wonder passa, no palco e na vida. E por tudo isso, me sinto muito orgulhoso de ser seu amigo.
Caio Fernando Abreu Caderno 2 - Estadão
sábado, 20 de novembro de 2010
Chico Buarque - Todo o Sentimento - Paris
Chico, nesta composição ilumina os caminhos e, generosamente, nos oferece um mapa do tesouro,.
É um mapa pessoal, é só uma sugestão de roteiro pra quem viaja esperando "ter a sorte de um amor tranquilo "
É um mapa pessoal, é só uma sugestão de roteiro pra quem viaja esperando "ter a sorte de um amor tranquilo "
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Nada do que foi será
Mensagem de encerramento de ano aos executivos da IBM no mundo todo, veiculada a partir de 01/12/09.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A tragédia do estudante sério no Brasil
Não estou entendendo o enunciado.
Tô boiando. Tô bem perdida nesta matéria, sem indicação de bibliografia referenciada para pesquisa. Estou ficando bem burra.
Não entendo como é que certas ideias terríveis surgem na cabeça das pessoas. Por que essas pessoas deixam que tais ideias se instalem no seu pensamento? Aos poucos elas vão se acostumando com o horror de dentro delas, com o prazer sádico, assumem a mediocridade como ambiente de conforto social, passam a ter certeza de que quanto mais maldosas, invasivas e humilhantes forem as suas ideias mais engraçadas elas serão. Percebem que colocar as ideias em prática será uma puta diversão.
Aqui instala-se a barbárie como estilo, quanto maior for o grau de crueldade, de desrespeito das práticas de um grupo, maior é o valor, mais "bárbara" será a pessoa.
Quais são os conceitos de mundo instalados na cabeça de certos indivíduos? Qual a base, o ponto de partida, pra formação do seu caráter, dos seus critérios de certo e de errado, do seu senso de humor, dos seus gostos pessoais? O indivíduo em questão é um adulto, um estudante de curso superior na UNESP. Esse cara teve o privilégio de estudar desde a infância até a conclusão do ensino médio, ele tinha capacidade mental pra absorver o conteúdo, exercitou o seu raciocínio, seu entendimento. Foi capaz de ampliar o seu conhecimento até o nível necessário para ingressar na universidade. Se o cara entrou na UNESP foi porque sabia, tinha um mínimo de conhecimento.
Por isso eu não entendo como 50 caras esclarecidos, cultos e bem educados podem levar adiante uma idéia burra como esta de promover um concurso, onde os participantes devem assediar moralmente as colegas obesas, atacá-las fisicamente, pulando em cima delas para usá-las como um animal de montaria de rodeio. E, ao final do massacre moral, ainda eleger e premiar os "Vencedores" - aqueles participantes da prova que conseguiram se manter por mais tempo, atacando as vítimas.
Eu não entendo esse critério de vencer, eu só consigo ver perdas.
Será que essa é a "geração coca-cola"? Serão eles "o futuro da nação"? Não sei....
Não sei quem é essa gente. Só posso dizer que há uma grande diferença entre a minha geração e a deles: os nossos ídolos não são mais os mesmos.
Abaixo colei um trecho do texto "A tragédia do estudante sério no Brasil"
escrito por Olavo de Carvalho.
"A inteligência, ao contrário do dinheiro ou da saúde, tem esta peculiaridade: quanto mais você a perde, menos dá pela falta dela. O homem inteligente, afeito a estudos pesados, logo acha que emburreceu quando, cansado, nervoso ou mal dormido, sente dificuldade em compreender algo. Aquele que nunca entendeu grande coisa se acha perfeitamente normal quando entende menos ainda, pois esqueceu o pouco que entendia e já não tem como comparar. Uma das coisas que me deliciam, que me levam ao êxtase quando contemplo o Brasil de hoje, é o ar de seriedade com que as pessoas discutem e pretendem sanar os males econômicos, políticos e administrativos do Brasil, sem ligar a mínima para a destruição da cultura, como se a inteligência prática subsistisse incólume ao emburrecimento geral, como se inteligência fosse um adorno a ser acrescentado ao sucesso depois de resolvidos todos os problemas ou como se a inépcia absoluta não fosse de maneira alguma um obstáculo à conquista da felicidade geral. A prova mais evidente da insensibilidade torpe é o sujeito já nem sentir saudade da consciência que teve um dia."
Tô boiando. Tô bem perdida nesta matéria, sem indicação de bibliografia referenciada para pesquisa. Estou ficando bem burra.
Não entendo como é que certas ideias terríveis surgem na cabeça das pessoas. Por que essas pessoas deixam que tais ideias se instalem no seu pensamento? Aos poucos elas vão se acostumando com o horror de dentro delas, com o prazer sádico, assumem a mediocridade como ambiente de conforto social, passam a ter certeza de que quanto mais maldosas, invasivas e humilhantes forem as suas ideias mais engraçadas elas serão. Percebem que colocar as ideias em prática será uma puta diversão.
Aqui instala-se a barbárie como estilo, quanto maior for o grau de crueldade, de desrespeito das práticas de um grupo, maior é o valor, mais "bárbara" será a pessoa.
Quais são os conceitos de mundo instalados na cabeça de certos indivíduos? Qual a base, o ponto de partida, pra formação do seu caráter, dos seus critérios de certo e de errado, do seu senso de humor, dos seus gostos pessoais? O indivíduo em questão é um adulto, um estudante de curso superior na UNESP. Esse cara teve o privilégio de estudar desde a infância até a conclusão do ensino médio, ele tinha capacidade mental pra absorver o conteúdo, exercitou o seu raciocínio, seu entendimento. Foi capaz de ampliar o seu conhecimento até o nível necessário para ingressar na universidade. Se o cara entrou na UNESP foi porque sabia, tinha um mínimo de conhecimento.
Por isso eu não entendo como 50 caras esclarecidos, cultos e bem educados podem levar adiante uma idéia burra como esta de promover um concurso, onde os participantes devem assediar moralmente as colegas obesas, atacá-las fisicamente, pulando em cima delas para usá-las como um animal de montaria de rodeio. E, ao final do massacre moral, ainda eleger e premiar os "Vencedores" - aqueles participantes da prova que conseguiram se manter por mais tempo, atacando as vítimas.
Eu não entendo esse critério de vencer, eu só consigo ver perdas.
Será que essa é a "geração coca-cola"? Serão eles "o futuro da nação"? Não sei....
Não sei quem é essa gente. Só posso dizer que há uma grande diferença entre a minha geração e a deles: os nossos ídolos não são mais os mesmos.
Abaixo colei um trecho do texto "A tragédia do estudante sério no Brasil"
escrito por Olavo de Carvalho.
"A inteligência, ao contrário do dinheiro ou da saúde, tem esta peculiaridade: quanto mais você a perde, menos dá pela falta dela. O homem inteligente, afeito a estudos pesados, logo acha que emburreceu quando, cansado, nervoso ou mal dormido, sente dificuldade em compreender algo. Aquele que nunca entendeu grande coisa se acha perfeitamente normal quando entende menos ainda, pois esqueceu o pouco que entendia e já não tem como comparar. Uma das coisas que me deliciam, que me levam ao êxtase quando contemplo o Brasil de hoje, é o ar de seriedade com que as pessoas discutem e pretendem sanar os males econômicos, políticos e administrativos do Brasil, sem ligar a mínima para a destruição da cultura, como se a inteligência prática subsistisse incólume ao emburrecimento geral, como se inteligência fosse um adorno a ser acrescentado ao sucesso depois de resolvidos todos os problemas ou como se a inépcia absoluta não fosse de maneira alguma um obstáculo à conquista da felicidade geral. A prova mais evidente da insensibilidade torpe é o sujeito já nem sentir saudade da consciência que teve um dia."
Tracey Ullmam- So you think you can die?
http://www.youtube.com/watch?v=w9rEvoBBikY&feature=related
Respeito profundamente essa mulher, por sua escolhas corajosas, atriz brilhante, versátil, verossímel e inteligente .
Respeito profundamente essa mulher, por sua escolhas corajosas, atriz brilhante, versátil, verossímel e inteligente .
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
Você me pergunta o que eu espero de um governante?
E eu, Grace Gianoukas, lhe pergunto:
As opiniões ou sugestões de um cidadão sobre rumos do país são relevantes pra quem?
Nossas opiniões oferecem novos pontos de vista aos políticos, colaboram para que eles evoluam e ampliem sua reflexão sobre seus projetos de governo?
Eu acho que não. Aliás, tenho certeza da inutilidade absoluta que é declarar aqui minhas esperanças.
Os políticos quando se reúnem para analisar e discutir projetos, nem ouvem uns aos outros, não registram palavras nem opiniões diferentes, só as próprias.O Aldo Rebelo e os 13 congressistas que aprovaram o novo código florestal foram vitimas de burrice súbita, de repente palavras como biodiversidade, manancial, vida futura, não significavam nada pra eles, já pra Marina Silva elas significam muito, mas sua opinião não foi considerada pelos burros ocasionais...
Curiosamente, o conhecimento de Marina não se expande para outras áreas da ciência também ligadas a vida, como por exemplo, a sexualidade humana, ou nossa diversidade cultural e comportamental, dessas coisas ela não entende nada. Apesar de ser formada em Historia, Marina acredita que a sociedade é regida por um Deus antigo, que para se comunicar com os fiéis utiliza a figura de um porta-voz, que retransmite pra nós as decisões divinas sobre o que é certo ou errado ...Devia evitar declarar-se publicamente contra a união estável entre pessoas do mesmo sexo, usando argumentos baseados nessa mitologia...Ela fica parecendo uma louca...
Candidatos da classe média e alta deveriam evitar falar sobre suas lembranças dolorosas como um passado humilde e difícil, pois estas coisas fazem o candidato se emocionar e chorar em público, o que pode ser interpretado como apelação pelo eleitorado...
A vaidade, a falta cultura e de bom senso de certos governantes, faz com que eles se acreditem sábios,
capacitados de uma inteligência bem acima da média de outros cidadãos, por isso eles têm o direito de escolher o que é melhor pro povo e pro futuro do país...
Sabe o que eu espero dos governantes?
Espero que eles deixem de ser ingênuos e parem de se ridicularizar publicamente.
Espero que, apesar deles terem certeza de que somos um bando de otários, eles tenham um insight e consigam se dar conta de que não estão convencendo ninguém. O texto é horrível, está velho, mal escrito e eles, coitados são péssimos atores. A gente ainda da atenção por pena...Sentimos vergonha por eles.
Respeito à nossa inteligência, é só isso que eu espero de um governante, por enquanto...
Não é bom projetar muitas expectativas ao mesmo tempo em cima deles. Vamos devagarzinho, quando eles conseguirem, naturalmente, ter atitudes respeitosas conosco, poderemos propor outro desafio.....
E eu, Grace Gianoukas, lhe pergunto:
As opiniões ou sugestões de um cidadão sobre rumos do país são relevantes pra quem?
Nossas opiniões oferecem novos pontos de vista aos políticos, colaboram para que eles evoluam e ampliem sua reflexão sobre seus projetos de governo?
Eu acho que não. Aliás, tenho certeza da inutilidade absoluta que é declarar aqui minhas esperanças.
Os políticos quando se reúnem para analisar e discutir projetos, nem ouvem uns aos outros, não registram palavras nem opiniões diferentes, só as próprias.O Aldo Rebelo e os 13 congressistas que aprovaram o novo código florestal foram vitimas de burrice súbita, de repente palavras como biodiversidade, manancial, vida futura, não significavam nada pra eles, já pra Marina Silva elas significam muito, mas sua opinião não foi considerada pelos burros ocasionais...
Curiosamente, o conhecimento de Marina não se expande para outras áreas da ciência também ligadas a vida, como por exemplo, a sexualidade humana, ou nossa diversidade cultural e comportamental, dessas coisas ela não entende nada. Apesar de ser formada em Historia, Marina acredita que a sociedade é regida por um Deus antigo, que para se comunicar com os fiéis utiliza a figura de um porta-voz, que retransmite pra nós as decisões divinas sobre o que é certo ou errado ...Devia evitar declarar-se publicamente contra a união estável entre pessoas do mesmo sexo, usando argumentos baseados nessa mitologia...Ela fica parecendo uma louca...
Candidatos da classe média e alta deveriam evitar falar sobre suas lembranças dolorosas como um passado humilde e difícil, pois estas coisas fazem o candidato se emocionar e chorar em público, o que pode ser interpretado como apelação pelo eleitorado...
A vaidade, a falta cultura e de bom senso de certos governantes, faz com que eles se acreditem sábios,
capacitados de uma inteligência bem acima da média de outros cidadãos, por isso eles têm o direito de escolher o que é melhor pro povo e pro futuro do país...
Sabe o que eu espero dos governantes?
Espero que eles deixem de ser ingênuos e parem de se ridicularizar publicamente.
Espero que, apesar deles terem certeza de que somos um bando de otários, eles tenham um insight e consigam se dar conta de que não estão convencendo ninguém. O texto é horrível, está velho, mal escrito e eles, coitados são péssimos atores. A gente ainda da atenção por pena...Sentimos vergonha por eles.
Respeito à nossa inteligência, é só isso que eu espero de um governante, por enquanto...
Não é bom projetar muitas expectativas ao mesmo tempo em cima deles. Vamos devagarzinho, quando eles conseguirem, naturalmente, ter atitudes respeitosas conosco, poderemos propor outro desafio.....
terça-feira, 27 de julho de 2010
NOVIDADES DE AGOSTO NA TERÇA INSANA
Oi queridos estou copiando abaixo a nota oficial :
Terça Insana cria concurso para revelar novos talentos
“Momento precipício” será um concurso mensal realizado dentro do espetáculo
para que o público escolha a melhor cena
A trupe da Terça Insana vai selecionar vídeos enviados por pessoas que tenham interesse em mostrar o seu talento no espetáculo que, desde 2001, já atraiu mais de 2 milhões de espectadores. Quem for selecionado irá apresentar a cena ao público durante o “Momento Precipício”, concurso mensal que acontecerá no show da Terça Insana a partir do dia 10 de agosto.
O público conhecerá dois novos talentos por semana e eliminará um. Os três finalistas irão se apresentar no espetáculo da Terça Insana do dia 31 de agosto, e o vencedor terá sua cena exibida durante 2 anos no site da Terça Insana. Os vídeos deverão ser enviados para o e-mail momentoprecipicio@tercainsana.com.br até o dia 18 de agosto, conforme regulamento disponível no site www.tercainsana.com.br.
Grace Gianoukas, criadora da Terça Insana e responsável pela direção geral do espetáculo, explica que essa é a oportunidade para os novos talentos “se jogarem”, pois será o público presente que irá decidir quem é o melhor. O tema é livre e a pessoa não precisa ser ator/atriz, porém é imprescindível que o texto seja de autoria própria, a cena dure no máximo 2 minutos e a pessoa tenha entre 18 e 25 anos.
Diversos talentos foram revelados após se apresentarem na Terça Insana, tais como Marco Luque, Luiz Miranda, Marcelo Médici, entre outros.
A pré-seleção dos novos talentos
Para a primeira edição, a equipe Terça Insana irá escolher dois vídeos por semana até o dia 18 de agosto para que os selecionados apresentem a cena ao público durante o “Momento Precipício”. Os selecionados pelo público durante as três semanas terão seus vídeos exibidos na semana final da disputa no canal oficial da Terça Insana no youtube (www.youtube.com/user/tercainsanaoficial). O vencedor, também selecionado pelo público, terá sua cena exibida no site oficial da Terça Insana por 2 anos.
Oi queridos estou copiando abaixo a nota oficial :
Terça Insana cria concurso para revelar novos talentos
“Momento precipício” será um concurso mensal realizado dentro do espetáculo
para que o público escolha a melhor cena
A trupe da Terça Insana vai selecionar vídeos enviados por pessoas que tenham interesse em mostrar o seu talento no espetáculo que, desde 2001, já atraiu mais de 2 milhões de espectadores. Quem for selecionado irá apresentar a cena ao público durante o “Momento Precipício”, concurso mensal que acontecerá no show da Terça Insana a partir do dia 10 de agosto.
O público conhecerá dois novos talentos por semana e eliminará um. Os três finalistas irão se apresentar no espetáculo da Terça Insana do dia 31 de agosto, e o vencedor terá sua cena exibida durante 2 anos no site da Terça Insana. Os vídeos deverão ser enviados para o e-mail momentoprecipicio@tercainsana.com.br até o dia 18 de agosto, conforme regulamento disponível no site www.tercainsana.com.br.
Grace Gianoukas, criadora da Terça Insana e responsável pela direção geral do espetáculo, explica que essa é a oportunidade para os novos talentos “se jogarem”, pois será o público presente que irá decidir quem é o melhor. O tema é livre e a pessoa não precisa ser ator/atriz, porém é imprescindível que o texto seja de autoria própria, a cena dure no máximo 2 minutos e a pessoa tenha entre 18 e 25 anos.
Diversos talentos foram revelados após se apresentarem na Terça Insana, tais como Marco Luque, Luiz Miranda, Marcelo Médici, entre outros.
A pré-seleção dos novos talentos
Para a primeira edição, a equipe Terça Insana irá escolher dois vídeos por semana até o dia 18 de agosto para que os selecionados apresentem a cena ao público durante o “Momento Precipício”. Os selecionados pelo público durante as três semanas terão seus vídeos exibidos na semana final da disputa no canal oficial da Terça Insana no youtube (www.youtube.com/user/tercainsanaoficial). O vencedor, também selecionado pelo público, terá sua cena exibida no site oficial da Terça Insana por 2 anos.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Proibição do uso da burca na França...Conquista feminina?
O parlamento francês acaba de aprovar uma lei que prevê multas e punição para a mulher que ousar usar uma burca em território francês. Entre os argumentos do governo francês, o mais forte é o de a proibição é uma conquista para as mulheres, poisa burca é um símbolo da opressão do homem.
Sabe o que me vem à mente diante deste assunto de proibição da burca ? A novela “Dallas”: não acaba nunca, não evolui filosoficamente, roteiro maniqueísta, com os pais severos e/ou malvados, mulheres idiotizadas, os galãs bonzinhos e sensatinhos lutando pelo bem-estar, pela liberdade das mocinhas aprisionadas… Se engalfinham os machos de todas as crenças pra provocar gratidão, admiração e tesão nas fêmeas. Claro que todos os envolvidos na trama, como vilões, galãs, autores e os expectadores, partilham uma mesma ideologia… Aquela certeza de que estas mocinhas serão felizes quando os galãs conseguirem libertá-las e comê-las… O anseio da mocinha injustiçada era a liberdade para viver e amar… Ou seja , o falo é tudo… Esta polêmica do veste burca, tira burca é jurássica, tão antiga quanto o algodão e o tear… Quem tem que decidir se vai usar ou não a burca é a própria envolvida no assunto. Qual que é? Essas mulheres muçulmanas por acaso são todas doentes, ou aleijadas? Tem alguma deficiência mental ou apatia emocional que as torna incapazes de dar um chega pra lá nessa gente que quer decidir tudo por elas? Caso estejam incomodadas, essas mulheres, tem que chegar até o próprio limite de suas capacidades de aceitação. Quando elas não aguentarem mais que os outros decidam por elas, certamente terão a iniciativa de mudar as tradições. Só elas podem tomar uma atitude pra dar um basta nessa palhaçada da obrigatoriedade do uso de burca. Vamos deixar de ser paternalistas, se o povo do ocidente quer fazer caridade, existem causas mais nobres e urgentes no terceiro mundo, como por exemplo, matar a fome das pessoas na África, ou melhorar a condição de vida dos Saarauis que vivem num campo de refugiados… Ou salvar o planeta… Se eu tivesse nascido num lugar onde eu fosse obrigada a usar bolsa Lui Vitton, ou a pintar o cabelo de loiro, colocar silicone e botox , fazer dieta, não ter celulite ou rugas, a malhar e assistir Sex and the city, reality shows, Ana Maria Braga, Pânico ou novela de TV, ou a ouvir axé e neo emos... Eu já teria começado uma revolução… Poderiam me apedrejar, me fazer apodrecer numa solitária, ou me condenar à morte na fogueira em praça pública… Eu morreria feliz pois infelicidade, pra mim é deixar de pensar originalmente, é não ter individualidade, nem opinião própria, é não conseguir concluir, nem escolher… Eu não tenho preguiça nem medo de arcar com as consequências das minhas atitudes… Ninguém tem a capacidade de sentir o mundo por mim, por isso ninguém pode decidir por mim... Se eu não tiver o direito de ir, me arrebentar, lenvantar, acertar, e tornar a cair... Prefiro não ficar viva.
beijo Grace
Sabe o que me vem à mente diante deste assunto de proibição da burca ? A novela “Dallas”: não acaba nunca, não evolui filosoficamente, roteiro maniqueísta, com os pais severos e/ou malvados, mulheres idiotizadas, os galãs bonzinhos e sensatinhos lutando pelo bem-estar, pela liberdade das mocinhas aprisionadas… Se engalfinham os machos de todas as crenças pra provocar gratidão, admiração e tesão nas fêmeas. Claro que todos os envolvidos na trama, como vilões, galãs, autores e os expectadores, partilham uma mesma ideologia… Aquela certeza de que estas mocinhas serão felizes quando os galãs conseguirem libertá-las e comê-las… O anseio da mocinha injustiçada era a liberdade para viver e amar… Ou seja , o falo é tudo… Esta polêmica do veste burca, tira burca é jurássica, tão antiga quanto o algodão e o tear… Quem tem que decidir se vai usar ou não a burca é a própria envolvida no assunto. Qual que é? Essas mulheres muçulmanas por acaso são todas doentes, ou aleijadas? Tem alguma deficiência mental ou apatia emocional que as torna incapazes de dar um chega pra lá nessa gente que quer decidir tudo por elas? Caso estejam incomodadas, essas mulheres, tem que chegar até o próprio limite de suas capacidades de aceitação. Quando elas não aguentarem mais que os outros decidam por elas, certamente terão a iniciativa de mudar as tradições. Só elas podem tomar uma atitude pra dar um basta nessa palhaçada da obrigatoriedade do uso de burca. Vamos deixar de ser paternalistas, se o povo do ocidente quer fazer caridade, existem causas mais nobres e urgentes no terceiro mundo, como por exemplo, matar a fome das pessoas na África, ou melhorar a condição de vida dos Saarauis que vivem num campo de refugiados… Ou salvar o planeta… Se eu tivesse nascido num lugar onde eu fosse obrigada a usar bolsa Lui Vitton, ou a pintar o cabelo de loiro, colocar silicone e botox , fazer dieta, não ter celulite ou rugas, a malhar e assistir Sex and the city, reality shows, Ana Maria Braga, Pânico ou novela de TV, ou a ouvir axé e neo emos... Eu já teria começado uma revolução… Poderiam me apedrejar, me fazer apodrecer numa solitária, ou me condenar à morte na fogueira em praça pública… Eu morreria feliz pois infelicidade, pra mim é deixar de pensar originalmente, é não ter individualidade, nem opinião própria, é não conseguir concluir, nem escolher… Eu não tenho preguiça nem medo de arcar com as consequências das minhas atitudes… Ninguém tem a capacidade de sentir o mundo por mim, por isso ninguém pode decidir por mim... Se eu não tiver o direito de ir, me arrebentar, lenvantar, acertar, e tornar a cair... Prefiro não ficar viva.
beijo Grace
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